Graças à traição de um empresário, temos o Anthology!



Traído pelo próprio empresário, George Harrison enfrentou um dos capítulos mais dolorosos de sua vida no início dos anos 90. O homem em quem confiara por anos, Denis O'Brien, foi descoberto como culpado por má gestão e desvio de milhões da empresa de Harrison, a Handmade Films. As consequências financeiras foram severas, levando a processos judiciais e colocando em risco até mesmo a amada propriedade de George, Friar Park. Para alguém que passou anos se afastando dos holofotes e do caos da fama, a traição foi um golpe profundo.

Na mesma época, Paul McCartney, Ringo Starr e Yoko Ono estavam dando andamento a um documentário sobre os Beatles, há muito discutido. Inicialmente, George tinha pouco interesse em reabrir esse capítulo complicado de sua vida. Mas a crise financeira o obrigou a reconsiderar. Quando finalmente concordou, fez isso em seus próprios termos — renomeando o projeto para The Beatles Anthology e convidando Jeff Lynne para ajudar a produzir novas gravações a partir de demos inacabadas de John Lennon. 

O que se seguiu tornou-se um dos reencontros mais marcantes da história da música. Embora George tenha abordado o projeto com seu humor seco característico e ocasional ceticismo, sua presença deu alma à Antologia. Os fãs viram um lado raro dele — perspicaz, reflexivo e surpreendentemente brincalhão ao revisitar o passado com Paul e Ringo. Ironicamente, a traição que outrora ameaçou sua estabilidade acabou por presentear o mundo com um retrato final inestimável dos Beatles, contado pelos próprios homens que o viveram.