Uma notícia inusitada provocou a colisão de dois mundos totalmente diferentes: a cena do Rap brasileiro, e a Beatlemania. Há cerca de dois anos, Yoko Ono iniciou uma disputa judicial contra o rapper L7NNON. Com isso, Yoko buscava proibir o uso da marca "L7NNON" no Brasil, pois segundo ela, isso causa uma errônea associação entre o rapper e John Lennon.
Embora o processo não tenha ocorrido sob segredo de justiça, a notícia só se popularizou no último sábado (25/04), após a decisão da Justiça Federal. O desfecho foi desfavorável a Yoko, por causa de uma série de argumentos contrários.
Os argumentos e evidências divulgadas pelo acórdão (decisão oficial) são: o fato do nome do artista ser, de fato, Lennon dos Santos Barbosa Frassetti; a distinção visual causada pelo uso de um "7" ao invés de um "E"; a distância temporal e cultural entre as obras. O rapper alegou ainda que o nome sequer foi inspirado em John Lennon, e sim, num personagem da novela Top Model (1989).
Yoko Ono ainda tem o direito de recorrer (o que é bem provável, devido ao seu extenso histórico de processos), mas não está nada favorável para ela. Até porque dificilmente haveria qualquer confusão entre os artistas.
Defesa do Legado: As Batalhas Judiciais de Yoko Ono
Um panorama das disputas por direitos, marcas e herança
A Disputa com Julian Lennon (Herança)
Após a morte de John em 1980, seu filho mais velho, Julian, contestou o testamento que o deixava de fora da fortuna. A batalha durou 16 anos e terminou em 1996 com um acordo extrajudicial estimado em mais de 20 milhões de libras, encerrando um dos conflitos familiares mais públicos do rock.
O Caso da Bebida "John Lemon" (Marca)
Em 2017, Yoko processou uma empresa polonesa que fabricava a limonada "John Lemon". Ela alegou que a marca usava indevidamente o nome e a estética do cantor para vender refrigerantes. Sem recursos para uma longa briga judicial, a empresa cedeu e alterou o nome do produto para "On Lemon".
A Ação contra Frederic Seaman (Confidencialidade)
O ex-assistente pessoal de Lennon foi processado diversas vezes por quebra de contrato e roubo de itens pessoais, incluindo diários e fotos. Em 2002, ele foi condenado a devolver o material e, em 2021, um novo acordo o proibiu definitivamente de lucrar com histórias sobre a vida privada da família.
O Embate com o Rapper L7NNON (Identidade Artística)
Iniciado em 2024, o processo visava impedir que o rapper brasileiro Lennon Frassetti registrasse a marca "L7NNON". Em abril de 2026, a justiça brasileira deu vitória ao rapper, entendendo que o uso do nome de batismo e a diferença de gêneros musicais (Rap vs. Rock) impedem a confusão entre os artistas.
O Processo do Relógio Patek Philippe (Recuperação de Bem)
Uma disputa de anos contra um colecionador italiano que adquiriu um relógio raro de Lennon, roubado pelo motorista de Yoko em 2006. Em 2024, a justiça suíça deu ganho de causa definitivo a Yoko, ordenando a devolução da peça avaliada em milhões de dólares.
Royalties contra a EMI/Capitol Records (Direitos Financeiros)
Em 2006, Yoko e os membros sobreviventes dos Beatles processaram a gravadora alegando o não pagamento de cerca de 30 milhões de libras em royalties. A disputa focava em como a gravadora calculava as vendas de discos e o uso de gravações master, resultando em um acordo financeiro favorável ao espólio.











